sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Desventuras em Buenos Aires

Quase no fim de uma viagem longa pela Patagônia, eu e meu amigo estávamos portando uma verdadeira mina de ouro, que eram os milhares de fotografias que havíamos tirado ao longo de 25 dias.

Ligeiramente neurótico para guardar tantas imagens, eu tomei uma decisão muito sensata (que mais tarde se revelou vital) de salvar as fotos em 3 lugares diferentes. Em primeiro lugar, elas estavam armazenadas na memória da própria câmera - uma SONY bem pequena, que coube no meu bolso em todos os passeios. Por um lado foi bom ter essa comodidade, mas hoje eu dia eu noto o abismo de diferença que existe entre as fotos dessa câmera e as fotos que eu tirei na Eslovênia, por exemplo, com uma câmera bem melhor (e maior). Em segundo lugar, ao longo da viagem, diariamente eu passei todas as fotos para o computador que eu tinha levado, como mais uma forma de garantia. Por último, resolvi salvar todas as imagens em um pendrive - para que assim não restasse a menor dúvida de que as fotos chegariam sãs e salvas até Porto Alegre.

Pois não é que o destino se encarregou de provar que eu estava certo em meio a tanta paranoia??

O infortúnio começou quando desembarcamos do avião em Buenos Aires, vindos de Ushuaia em um voo de 3h30min. Passamos na esteira para pegar as malas, saímos do aeroporto e entramos na fila dos táxi. Foi quando eu tive um estalo e procurei a câmera na minha mochila - e, para o meu desespero, constatei que a tinha esquecido no avião, naquele bolso preso no assento da frente. Voltei para o aeroporto e implorei no guichê das Aerolíneas Argentinas que me deixassem voltar ao avião, mas me negaram esse direito sem maiores explicações. Pegamos o táxi para o nosso hotel em Buenos Aires sem a câmera, onde todas as nossas fotos da viagem estavam arquivadas.

Nunca mais vi a pequena SONY de bolso que já tinha me acompanhado em tantas viagens pelo Brasil, América do Sul, Europa e até África. Só me restava o consolo de que, provavelmente, a Patagônia seria mesmo o último destino da câmera, pois ela vinha apresentando uma série de problemas desde a metade da viagem. Às vezes desligava sozinha, o timer só funcionava quando queria, algumas fotos saíam embaçadas sem motivo algum, etc, etc. Mas, de qualquer forma, não é legal perder uma câmera - ainda mais com tantas fotos dentro!

Na noite do dia 22/2, ficamos hospedados no Hotel Colón - e seria injusto eu falar desse hotel sem tecer inúmeros elogios. De longe, foi a acomodação mais chique que nós tivemos ao longo de toda a viagem. O quarto era muito espaçoso, o banheiro era grande e limpo, tinha ar-condicionado, o café da manhã não podia ser melhor (o café propriamente era ruim, como em toda a Argentina, mas a comida era excelente), a recepção era organizada e eficiente - e a melhor parte: localização perfeita, no coração da cidade, em plena Av. 9 de Julho, exatamente em frente ao Obelisco. E, por tudo isso, pagamos menos de R$ 100 na diária do quarto duplo! Quando for para Buenos Aires, não perca essa pechincha: Hotel Colón é o nome.

Nessa noite, aproveitamos o pouco tempo que teríamos para conhecer um pouco da capital argentina, e caminhamos bastante pelas ruas do centro (inclusive pela famosa Av. Florida). Paramos em uma grande galeria ao ar livre e jantamos uma deliciosa massa com contrafilé. 

Na manhã seguinte, antes do nosso voo, ainda conseguimos passear um pouco mais, e demos uma corrida até a Casa Rosada. Tiramos fotos ali na frente (com a câmera do meu amigo, que até então não tinha sido usada na viagem) e também no Obelisco, na Praça da República.

Em seguida, voltamos para o hotel, pegamos nossa bagagem e chamamos um táxi para nos levar até o aeroporto. A essa altura eu estava bem atento ao meu computador e ao pendrive, os 2 lugares onde as fotos de toda a viagem estavam salvas. O computador foi na minha mochila e o pendrive na mochila do meu amigo.

Cerca de 10min depois que descemos do táxi no aeroporto, já na fila do checkin para o triste voo de volta, meu amigo percebeu que havia deixado a mochila - sim, a mochila inteira! - no táxi. Como ele tinha feito muitas compras e estava com várias sacolas nas mãos, acabou esquecendo do bem mais precioso que um viajante pode ter - a mochila, que muitas vezes vale mais do que a própria mala! Pelo menos no meu caso, acho mais tranquilo perder a mala (onde só vão roupas) do que a mochila, onde estão o celular, o computador, os documentos, o dinheiro, a câmera e por aí vai. No caso do meu amigo, felizmente não foi tão grave - pelo menos o computador e os documentos dele estavam em uma das sacolas. Mas todo o resto - incluindo o pendrive - tinha ficado morando em Buenos Aires para sempre. 

Tentamos tudo o que foi possível! Nossa primeira reação foi contatar o Hotel Colón - que mais uma vez superou as expectativas e, em pouco tempo, nos informou o nome e o telefone do taxista que havia nos levado ao aeroporto. Telefonamos para o sujeito, mas ele disse que já não tinha nenhuma mochila no banco de trás do carro. Ou seja: ou ele mesmo roubou, ou foi o passageiro seguinte. 

Quanto à minha câmera, novamente eu fui ao balcão das Aerolíneas e perguntei se ela não havia sido encontrada no avião que tinha chegado de Ushuaia no dia anterior. Diante da resposta negativa, também só posso concluir que ela foi roubada por algum passageiro ou por alguém da tripulação.

Muito triste aprender na marra que não podemos confiar em NINGUÉM em Buenos Aires! 

Só posso dar graças a Deus de ter salvo as fotos em 3 lugares diferentes - já que, ao fim e ao cabo, só me restou o meu computador. Infelizmente eu ainda não havia passado as fotos que tiramos em Buenos Aires, e acabamos perdendo todas elas. Mas menos mal que tenham sido só as fotos de um dia, e não as de uma viagem inteira!

Nem preciso dizer que tomei um cuidado absurdo com meu computador, viajando de Buenos Aires até Porto Alegre praticamente abraçado nele! Porque se acontecesse qualquer coisa com ele, acho que eu precisaria de terapia para o resto da vida se quisesse superar essa frustração (ou de uma outra viagem!). Não deve existir sensação pior do que perder fotos espetaculares de quase 1 mês viajando por algumas das paisagens mais bonitas do mundo! As fotos fazem parte da viagem - são o pedaço dela que não termina, aquele que levamos para casa e que nos faz reviver para sempre os dias diferentes que nos fizeram tão felizes! 

Afinal, ninguém consegue guardar tudo na memória, não é mesmo?


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No próximo post, tudo sobre preços na Patagônia - quanto nós gastamos e quanto você vai gastar! Não perca!













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