sábado, 15 de outubro de 2016

Como visitar por conta própria o Chimborazo, no Equador


De todas as atrações que visitamos no Equador (continental), a que nós mais gostamos sem dúvida foi o Vulcão Chimborazo.





A verdade é que o vulcão mais famoso do Equador é o Cotopáxi, que possui uma melhor estrutura, é mais acessível, turístico e fotogênico. Mas, como contei nesse post, nosso passeio ao Cotopáxi foi um pouco frustrado devido ao mau tempo. Por outro lado, não dávamos muita coisa pelo Chimborazo - e no final, com um belo dia de sol, foi ele que nos surpreendeu e acabou se tornando o atrativo nº 1 do Equador, na nossa opinão (excluindo as Ilhas Galápagos, claro).

O grande problema do Chimborazo é a escassez de informações sobre ele na internet. Claro que você pode simplesmente chegar lá, procurar uma agência de turismo e comprar o passeio - mas saiba que vai pagar caríssimo por essa mordomia! Como nós não tínhamos condições de contratar a excursão, a única alternativa era fazer tudo por conta própria. Há pouquíssimos relatos de viajantes sobre como conhecer o Chimborazo de forma independente - e nenhum em português. Nós chegamos lá tendo apenas uma vaga ideia da logística do passeio, e ninguém merece passar por essa agonia, de não saber se vai conseguir visitar, quanto tempo vai levar, onde se hospedar, etc. Então espero que esse tutorial bem didático possa ajudar muita gente que nesse momento está nessa fase terrível de pesquisa sem resultados!



Como conhecer o Chimborazo, SEM ter um carro, em 10 passos:

 
Primeiro, reserve hospedagem em Riobamba, a cidade ideal para montar base. Os hotéis por lá são muito caros, pelo menos em comparação com outras cidades do país. Você também pode conseguir um host pelo Couchsurfing - nós ficamos 2 noites na casa do Fausto Bonífaz, e foi uma ótima experiência.



Catedral de Riobamba

Riobamba iluminada no Natal



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Acorde cedo em Riobamba, vista todas as suas roupas e acessórios de frio, vá até o terminal terrestre e tome um ônibus para a cidade de Guaranda. Há ônibus frequentes e não é necessário comprar passagem com antecedência. O valor é barato (cerca de USD 1,50, não lembro exatamente).



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Avise ao motorista que você vai descer na entrada do Chimborazo, e fique lembrando-o disso algumas vezes durante a viagem (melhor ser chato do que passar perrengue depois). O trecho Riobamba - Chimborazo demora cerca de 1h. No dia em que nós fomos, além de nós 2, só havia outros 3 turistas no ônibus, que desceram junto conosco.



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A entrada ao parque é gratuita, mas você precisa passar no balcão turístico assim que chega. Lá, a atendente lhe explica como funciona a trilha e dá informações sobre os refúgios. Ao final da explicação ela faz perguntas (tipo uma sabatina) para ver se você realmente prestou atenção no que ela falou - achei isso demais! Quem passa no teste recebe uma pulseirinha e pode entrar no parque. Também é preciso assinar uma lista de registro de ingresso. 


Vista do Chimborazo, na entrada do parque

Neve só no topo - efeitos do aquecimento global




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Entrando, você está num grande estacionamento. Agora a surpresa: não há nenhum tipo de transporte público que leve você até o primeiro refúgio, a 8km da base. O modo oficial de chegar até lá é pedindo carona a quem está de carro! 

Ouvimos dizer que em qualquer dia é fácil conseguir carona, mas se você for num fim de semana (como nós, que fomos num sábado) a coisa é imediata. Havia dezenas de camionetes e na primeira em que pedimos já fomos aceitos.


Subindo a montanha na carroceria da camionete
Prepare-se para as lufadas de areia!
 

Se você não conseguir carona por algum motivo, não recomendo que faça a subida a pé: além de estar em uma altitude elevada, o caminho tem 8km e é todo de areia/terra - você vai enfrentar verdadeiras nuvens de poeira.



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Após os 8km percorridos, a sua carona lhe deixará no primeiro refúgio, que fica a 4.800m de altitude. Ali você pode comprar alguma coisa para comer.


Chegada ao primeiro refúgio

Vista do refúgio, olhando para baixo: a estrada que percorremos






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Depois da breve pausa, caminhe montanha acima, rumo ao segundo refúgio, a quase 1km de distância e 5.000m acima do mar. A distância é curta, mas a caminhada é lenta, pois você terá que ir bem devagar para não se sentir mal. Nós fomos em uma velocidade baixa e constante, para garantir que não sofrêssemos o 'mal de altitude', e deu certo: eu não senti absolutamente nada e a Adriana só sentiu uma leve falta de ar. 




Vicunhas pelo caminho - não se aproxime para não assustá-las





Dentro do refúgio, pare e descanse bem, para que sua respiração volte ao ritmo normal. Ali são vendidos sachês de chá de coca (USD 1), que ajudam o corpo a se acostumar com a elevação.


Chá de coca + barra de cereal


 
Com as energias renovadas, inicie a última e rápida caminhada, com destino à Condor Cocha, uma laguna a 300m do refúgio e a 5.100m de altitude. Como uma parte do trajeto é ainda mais alta que a laguna, você pode dizer que esteve a MAIS de 5.100m! 

A laguna em si é uma decepção, parece uma poça de lama...






A partir desse ponto, logo depois da laguna, só escaladores com equipamento podem passar.
 





Desça de volta até o primeiro refúgio e peça uma carona para algum carro que esteja descendo (no nosso caso, deu a coincidência de ser a mesma camionete da subida!).



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Na saída do parque, não esqueça de passar de novo no balcão turístico para devolver a pulseira e assinar a lista. Passando o portão, de volta à estrada onde você desceu do ônibus, atravesse a rua e pegue o mesmo ônibus, que passa de hora em hora no sentido contrário. 

Para economizar, você pode também fazer como nós e pegar uma carona de volta para Riobamba - quase todos os carros que saem do parque ou passam pela estrada estarão indo para lá.

Nós chegamos de volta a Riobamba no começo da tarde, e acabamos dormindo mais uma noite na cidade. Mas não é necessário - no mesmo dia que você faz o passeio ao Chimborazo, já pode à tarde pegar um ônibus para o seu próximo destino.




Números do Chimborazo 


Total distância percorrida na trilha: cerca de 2,6km (ida e volta)

Total elevação na trilha: pouco mais de 300m

Total de gastos do dia para conhecer o Chimborazo: USD 3 (2 passagens de ônibus) + USD 1 (chá de coca, que você também pode comprar em Riobamba pagando muito menos).

Indo por um pacote de agência: no mínimo (barganhando muito) USD 30 por pessoa.





Você sabia?


Apesar de o Monte Everest ser o ponto do planeta com maior elevação em relação ao nível do mar, o cume do Chimborazo é o local mais próximo do sol e mais distante do centro da Terra. Isso se deve à diferença do diâmetro do planeta em latitudes diferentes: já que a Terra é ligeiramente achatada nos polos, o nível do mar na linha do Equador é 22km mais elevado que o nível do mar nos polos.

Ou seja, a resposta para a pergunta: "qual é o ponto mais alto da Terra?" é definitivamente Chimborazo, e não Everest.

Na volta para Riobamba, pegamos carona com um equatoriano muito simpático que havia passado a manhã escalando o Chimborazo. Ele tinha chegado a cerca de 5.800m de altitude, e falou que naquele dia não havia nenhum outro escalador por perto. Por isso, nos lembrou que estávamos tendo a honra de pegar carona justamente com o ser humano que, entre os mais de 7 bilhões de habitantes do planeta, foi o que esteve mais próximo do sol naquele dia (tirando algum astronauta que pudesse estar no espaço). Incrível, não é mesmo?


Quase no sol


Se você gostou de ler sobre o Chimborazo, conheça também o seu maior rival: o vulcão Cotopáxi.

Para ler sobre outras cidades e atrações do Equador, clique nos posts:

 

Para saber mais sobre as Ilhas Galápagos:


 
E sobre outros destinos da América do Sul:




No próximo post, nosso roteiro completo (e atualizado) pelo Equador!

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* Valores referentes a Dezembro/15






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