terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Bélgica além de Bruxelas - 7 cidades para colocar no roteiro


 
Canais em Bruges



Muita gente vai à Bélgica e não passa de Bruxelas - ou, no máximo, faz um bate-volta a Bruges. Na nossa última viagem, passamos 6 dias no país, percorrendo tudo com um carro alugado, e podemos afirmar com certeza: Bruxelas não é o que há de melhor na Bélgica!

Estivemos lá num domingo de dezembro (ou seja, baixa estação) e, não sei por que motivo especial, as ruas estavam absurdamente lotadas de pessoas, realmente intransitáveis. Inventamos de atravessar o mercado de natal, e acho que demoramos mais de meia hora para andar uns 200m, esbarrando em todo mundo, sem espaço nem para respirar. Só isso já nos deixou com uma impressão muito negativa da cidade, mas na verdade eu acho que não gostaria de Bruxelas nem se ela estivesse vazia: é uma cidade grande normal, sem nenhuma beleza natural e sem nenhum atrativo maior. 

Para você ter uma ideia, as 2 grandes atrações da capital belga, disputadíssimas pelos turistas, são Manneken Pis (uma estátua minúscula de um "menino mijão", que você só nota que é famosa pela multidão tirando fotos com ela) e uma estátua chamada Atomium, um monumento não muito bonito (minha opinião) e que fica muito longe do centro da cidade (não dá pra ir a pé), e que nem fomos conhecer.

Na verdade a única coisa que eu acho legal fazer é dar uma volta pela praça central, a Grote Markt. Só que existem praças iguais a essa em quase todas as cidades belgas, e como Bruxelas foi justamente a última que visitamos, nem nisso vimos muita graça...




Agora vou começar a falar bem do país: tirando Bruxelas, adoramos a Bélgica! Veja abaixo algumas cidades que visitamos e que você pode incluir no seu roteiro quando viajar para lá (na nossa ordem de preferência):




 1. Bruges

Bruges tem a fama de ser uma das cidades mais bonitas do mundo, e nós assinamos embaixo. É daquelas que não têm 1 ou 2 atrações turísticas específicas, que você pega um mapa e segue para chegar nos lugares e tirar fotos. Em Bruges, basta você estar em qualquer esquina, rua ou ponte que vai sentir vontade de fotografar!


Recomendo dedicar no mínimo um dia inteiro (e uma noite) para conhecer toda a região central e ainda ter tempo de passear no lado leste, onde há moinhos de vento na beira de um rio. 1 dia e meio já seria melhor, e 2 dias o tempo ideal. Não faça apenas um bate-volta desde Bruxelas, jamais!




O mercado de Natal















Onde estacionar em Bruges: não faço ideia! Como nós ficamos hospedados na casa de um amigo do Couchsurfing, usamos o cartão de morador dele para estacionar em pleno centro. 




2. Dinant 


Outra cidade que não dá pra perder de jeito nenhum! Dinant fica na parte francesa do país e tem uma paisagem muito interessante: é uma cidade bem pequena construída na base de um grande rochedo - tudo isso em frente a um rio. Uma combinação muito improvável que resulta em outra das cidades mais bonitas da Europa. Infelizmente, Dinant foi um dos poucos lugares do nosso roteiro em que o tempo não estava ensolarado, e sim nublado, mas mesmo assim a paisagem estava incrível - veja nas fotos: 




Não é necessário passar um dia inteiro em Dinant - você pode dar uma caminhada pelo  centro e conhecer tudo em menos de 2h. Se quiser subir até a citadela medieval, que fica no topo do rochedo, vai precisar de mais tempo. A entrada custa 11 euros (tanto subindo de teleférico como a pé, pela escadaria - o que eu achei muito estranho), e lá de cima você pode ter uma boa vista da cidade. Nós não visitamos a citadela, pois achamos que o preço não compensava. 


Onde estacionar em Dinant: em qualquer lugar, há muitas vagas gratuitas na rua central.






3. Oostende 


Oostende não tem nada de mais, é uma cidade litorânea comum, que na verdade tem mais cara de Rio Grande do Sul que de Bélgica. Mas estávamos com muita saudade do mar, e pegamos um pôr do sol tão bonito que acabou sendo uma das cidades que mais gostamos.
 






Onde estacionar em Oostende: em qualquer lugar é gratuito (mas a avenida beira-mar é só para pedestres).




4. Leuven 


Nada turística, Leuven é apenas uma cidade universitária cheia de jovens andando de bicicleta. Mesmo assim, a beleza do centro histórico e a quantidade de atrações nos cativou bem mais que as conhecidas Gante e Antuérpia (leia sobre elas nos próximos itens). 

Muitos canais e pontes em Leuven

e muitas bicicletas também

Os prédios da praça central

O prédio da universidade

O parque em frente à universidade

O bairro histórico de Groot Begijnhof
Groot Begijnhof

Groot Begijnhof
Também não deixe de conhecer "o maior bar do mundo" (tenho minhas dúvidas). Ele ocupa toda uma praça no centro de Leuven. 

O bar vazio no final de uma tarde de inverno


Fora do centro, no sul da cidade, também vale a pena seguir um caminho paralelo a um rio, que em 20min leva até o Castelo de Arenberg.




Onde estacionar em Leuven: na rua Tervuursevest, 26, há um enorme estacionamento público e gratuito, no melhor lugar possível da cidade. De um lado está o centro e do outro o castelo, tudo facilmente alcançável a pé. 

Quanto tempo ficar em Leuven? Metade de um dia, no mínimo - 1 dia inteiro é o ideal. Se você não pretende dormir na cidade, pode fazer um bate-volta desde Bruxelas (30km)




5. Antuérpia 

É a maior cidade da região de Flanders, onde falam holandês. É bonita e ostenta aquela arquitetura bem característica da Bélgica, porém não acho que seja uma cidade imperdível como as outras 4 acima. Recomendo que, se você tem tempo sobrando, vá! 





Quanto tempo ficar em Antuérpia? Metade de um dia é suficiente para conhecer as principais atrações. Se você ainda tiver tempo, pode usar a outra metade para visitar num bate-volta o Castelo de Ravenhof, na fronteira com a Holanda (leia mais no final do post). 

Onde estacionar? Nós deixamos o carro num estacionamento público gratuito, mas um pouco longe do centro. Para estacionar perto do circuito turístico, você precisará pagar o parquímetro. 

 

6. Gante
 

Sei que é uma opinião polêmica, mas acho que Gante é superestimada na internet. Muita gente adora essa cidade, fala até que é mais bonita que Bruges... eu acho isso um absurdo. De qualquer forma, recomendo que você conheça e tire suas próprias conclusões!






Quanto tempo ficar? O centro é bem pequeno, e pode ser conhecido em metade de um dia, tranquilamente.

Onde estacionar em Gante? Nós deixamos o carro no estacionamento gratuito Yachtdreef, mas tivemos que caminhar quase 3km até o centro.






7. Namur 

Namur é bem dispensável, mas fica no caminho de Dinant, então aproveitamos e paramos ali para conhecer a famosa citadela da cidade. Achei muito bom que dá para subir de carro na citadela, de graça, e parar o tempo todo pelo caminho para tirar fotos de Namur vista de cima. Essa é uma facilidade muito incomum na Europa, e foi uma ótima surpresa que nos poupou as pernas e MUITO tempo!


Le Château de Namur - um hotel-restaurante no topo da citadela

Quanto tempo ficar? Se você não fizer nenhuma caminhada pela cidade, nem perder muito tempo na citadela, 1h é suficiente para subir com o carro, fazer várias paradas para fotos e depois descer.





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Essas são as 7 cidades que visitamos e recomendamos. Além delas, conhecemos também algumas atrações "avulsas" pelo caminho. São elas: 

* Castelo de Loppem - pode ser visitado no caminho de Bruges a Oostende. Não se paga nada para ver o castelo por fora.






* Castelo de Ravenhof - na fronteira com a Holanda, pode ser conhecido em um bate-volta desde Antuérpia. Está fechado para visitação interna, mas vale a pena dedicar um tempo para caminhar pela floresta ao lado do castelo.








* Dookijkkerk - uma escultura em formato de igreja, que fica em uma região rural perto de Borgloon, no leste do país. Se você for a Luxemburgo, ela está no caminho.




 

* Castelo de Vêves - fica em Houyet, perto de Dinant. 
  




E mais algumas dicas para a sua viagem à Bélgica:


* Para chegar em todos esses lugares, o ideal é alugar um carro. Nós alugamos um Fiat 500 com a Europcar e foi tudo ótimo, inclusive o carro veio com um GPS excelente (e gratuito). O preço total para 10 dias de locação foi cerca de 140 euros. 

* O preço médio da gasolina (final de 2016) foi de 1,35 euros por litro. Se você viajar também pelo vizinho Luxemburgo, recomendo abastecer lá, onde o preço era apenas 1,12 euros

* Se quiser estender um pouco a viagem para os países vizinhos, não deixe de conhecer Metz e Givet, na França, e a região de Müllertal, em Luxemburgo. Além desses lugares, nós visitamos a Cidade de Luxemburgo (não gostamos muito), a cidade de Putte, na Holanda (ao lado do Castelo de Ravenhof) e os castelos de Vianden e Beaufort, em Luxemburgo. 

* Levando em conta todo o nosso roteiro, rodamos 1.264km em 10 dias, e gastamos 96 euros em gasolina.

* Para economizar com comida, recomendo fazer as compras nos supermercados Delhaize - essa é de longe a melhor rede, até porque o principal concorrente é o Carrefour. Eles têm diversos produtos com a marca própria Delhaize, por preços baratíssimos e excelente qualidade. Um pacote com 200g de amendoim descascado e salgado (e delicioso), por exemplo, custa apenas 0,54 euros, e um pacote com 5 waffles gigantes, cobertas com chocolate (e igualmente deliciosas) custa 1,19 euros.





 

Todas as informações e preços deste post são referentes a nov/dez/2016.

Veja aqui o nosso roteiro completo (já atualizado) pela Bélgica, França e Luxemburgo.

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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Castelo de Bran - como é a visita ao "Castelo do Drácula", na Romênia



Nos últimos posts, falei sobre as nossas experiências visitando os Castelos de Corvin e Cantacuzino. Agora é a vez de contar o que achamos do Castelo de Bran, que é nada menos que a maior atração turística da Romênia (e uma das mais conhecidas de todo o leste europeu). E o que é mais engraçado sobre esse castelo é o fato de ele ser tão famoso justamente por algo que ele não é: o Castelo do Drácula!

A história é mais ou menos assim: Vlad Tepes foi um príncipe extremamente cruel, que viveu na região da Transilvânia e era temido por seu costume de empalar suas vítimas. Séculos depois, Bram Stoker, um escritor irlandês, (que não batizou a cidade, foi uma coincidência seu nome ser o mesmo), escreveu um livro de pura ficção (felizmente) intitulado "Drácula", em que conta a história de um vampiro que teria sido livremente inspirado em Tepes. No livro, era descrito o castelo onde Drácula vivia, na região da Transilvânia, e esse castelo tem características muito semelhantes ao que realmente existe na cidade de Bran. Por outro lado, sabe-se que o escritor jamais pisou na Romênia, ou seja: ele não poderia ter se baseado muito em nenhum castelo específico.  

Alguns historiadores até defendem que o príncipe Tepes passou cerca de 2 meses aprisionado nas masmorras do Castelo de Bran - teoria que nunca foi provada. A informação oficial que se tem é que essa nunca foi a sua residência, e que provavelmente Vlad Tepes jamais pisou no castelo, ao contrário do que reza a lenda.





Onde fica e como chegar

Num lugar muito fácil e acessível para qualquer turista brasileiro que não queira se aventurar demais pela Romênia. Para conhecê-lo, você até pode se hospedar uma noite na própria cidade de Bran, mas as opções de hotéis são mais limitadas e a cidade não é nada bonita. O ideal é ficar hospedado em Brasov - cidade extremamente turística que, de qualquer maneira, você terá incluído no seu roteiro pelo país.

Há transporte público ligando Brasov e Bran, mas eu recomendo muito que você alugue um carro para conhecer a Romênia. Nesse caso, uma boa dica é reservar um dia inteiro em Brasov e fazer o seguinte itinerário (que nós fizemos e recomendamos muito): 

Brasov - Magura - Pestera - Castelo de Bran - Brasov 


* Você também pode parar para conhecer a fortaleza de Rasnov, no caminho (que nós conhecemos em outro dia), e voltar pela estrada secundária, passando por Poiana Brasov.

Magura e Pestera são cidadezinhas encravadas em colinas, só com paisagens bucólicas de fazendas, vacas, ovelhas, etc. É muito bonito, principalmente em um dia de sol. Depois vou escrever um post só sobre atrações para visitar nos arredores de Brasov, mas por enquanto basta dizer que vale muito a pena percorrer essas estradas!

Chegando em Bran, que é uma cidade muito pequena, basta estacionar em qualquer lugar na rua e seguir a pé para o castelo.



Como é a visita ao castelo

* Por fora

Uma coisa que não gostei (mesmo!) é o fato de que você é obrigado a comprar o ingresso mesmo que só queira tirar foto por fora. O castelo é cercado por uma espécie de parque, cheio de árvores, e não pode ser visto (pelo menos não muito bem) antes de você passar pela bilheteria. Ou seja: se você não está a fim de gastar os 35 Lei (cerca de R$ 30 - preço da entrada em Nov/16), recomendo fortemente que nem vá até Bran, pois você mal vai conseguir ver o castelo de longe e vai se decepcionar bastante.

Nós recebemos uma cortesia no ingresso, em troca deste post relatando a nossa visita, então entramos para conhecer e conseguimos tirar a clássica foto do castelo, visto do parque:





A parte da frente do castelo estava toda em obras, não muito fotogênica! Eles aproveitam a baixa temporada para fazer as reformas necessárias.


* Por dentro

A visita é autoguiada, mas se achar necessário você pode comprar um áudio-guia. Claro que tudo lá dentro é bem explicado, com muitos textos sobre cada exposição (em romeno e inglês). O trajeto é linear, com começo, meio e fim (que, é claro, só pode ser numa loja de suvenir).

Não espere encontrar nada de muito aterrorizante no castelo - e muito menos vestígios do Conde Drácula. 

O que mais se destaca, no interior, é o mobiliário da Rainha Maria e a exposição de objetos medievais e tradicionais. 









O que mais gostamos foi uma passagem secreta - uma escada íngreme que fica atrás de uma parede de concreto, e conduz até uma biblioteca.



A saída da passagem


Para não ser injusto, há sim uma sala dedicada aos vampiros, onde você encontrará painéis com explicações sobre o Príncipe Vlad Tepes, sobre o livro "Drácula" e seu escritor Bram Stocker e sobre a relação de uma coisa com a outra (que é mínima).




Retrato de Vlad Tepes


 Este é o pátio interno, onde termina a visita: 







E esta é a vista que se tem, olhando do castelo para a rua:






Dica importante: faz muito frio em Bran, e o castelo fica num local mais alto, então a sensação é ainda mais congelante. Há também muitas aberturas nas paredes, por onde entra um vento cortante durante a visita. Para se ter uma noção, nós fomos em novembro (fim do outono) e já pegamos temperaturas negativas em Bran! Então não faça como nós, que deixamos toucas, mantas e luvas no carro - leve todas as roupas possíveis para a visita, você vai precisar delas!


* Valores e informações referentes a nov/16.

* Não deixe de consultar o site oficial do Castelo de Bran. Além de procurar a tabela de valores e horários, vale a pena ler a "linha do tempo", cheia de detalhes sobre a história do castelo, desde a sua construção na Idade Média até os dias atuais.


Leia também:

Roteiro de 3 semanas pela Romênia

Castelo de Corvin 

Castelo de Cantacuzino


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